A morte de um sobrevivente da bomba atômica de Nagasaki marcou a cena cultural de Mato Grosso nesta terça-feira (17). O artista plástico Masanobu Kazurayama faleceu em Cuiabá aos 86 anos, deixando um legado que atravessa gerações de alunos e admiradores.
Masanobu integrava o grupo dos hibakushas — nome dado aos sobreviventes das bombas atômicas lançadas sobre o Japão durante a Segunda Guerra Mundial. A bomba foi lançada sobre Nagasaki em 9 de agosto de 1945, três dias após o ataque a Hiroshima. A explosão causou devastação imediata, milhares de mortes e acelerou o desfecho da Segunda Guerra Mundial.
Sobrevivente da bomba atômica de Nagasaki construiu trajetória no Pantanal
Masanobu chegou a Mato Grosso em 1961, integrando a onda migratória japonesa iniciada na década de 1950. Desde então, consolidou uma trajetória marcada pela superação e pelo compromisso com a arte.
Ele atuou como mestre no curso de pintura do Museu de Arte e de Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso, formando diversas gerações de artistas. No Museu do Morro da Caixa d’Água Velha, realizava exposições anuais que retratavam paisagens do Japão, do Canadá e do Pantanal, muitas vezes em parceria com alunos.
Sua técnica era descrita como refinada, preservando traços nipônicos enquanto incorporava elementos da estética pantaneira e cuiabana. Assim, o sobrevivente da bomba atômica de Nagasaki transformou dor e memória em expressão artística, criando pontes culturais entre continentes.
Legado cultural e homenagem oficial
Dados oficiais do governo japonês indicam que restam menos de 100 mil hibakushas vivos no mundo. Nesse contexto, a história de Masanobu ganhou ainda mais relevância histórica e simbólica.
O prefeito Abilio Brunini (PL) publicou nota de pesar destacando a importância do artista para a cultura local. Segundo a prefeitura, ele construiu uma trajetória marcada pelo trabalho, pela sensibilidade e pelo amor à arte.
O sepultamento ocorreu na noite de terça-feira, em Cuiabá. Com sua partida, o Estado perde não apenas um artista talentoso, mas também uma das últimas testemunhas vivas de um dos episódios mais impactantes do século XX.
O legado do sobrevivente da bomba atômica de Nagasaki permanece nas telas que pintou, nos alunos que formou e na memória cultural de Mato Grosso.



