Projeto de MT une fotografia e ilustração para falar de queimadas no Pantanal e pandemia

Cultura

A partir de um processo colaborativo, as artistas Emanoele Daiane (fotógrafa) e Sophia Paiva (ilustradora) compuseram uma série de imagens unindo os dois saberes. O resultado da parceria são 37 imagens, expostas no site matogrossoilustrado.com.br, onde há também um livro digital e a possibilidade de download das obras, em alta resolução. O lançamento oficial ocorrerá em uma live, na página do Instagram @ilustratodas – espaço de trabalho de Sophia, a partir das 18h da próxima terça-feira (9).

O projeto, intitulado “COLLAB”, foi contemplado no edital MT Nascentes, realizado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel/MT), com recursos da Lei Aldir Blanc.

As 37 obras estão divididas em três conjuntos. “Retratos de um Mato Grosso ilustrado” reúne 25 imagens, enquanto as outras duas séries, “Desenhos sobre paisagens mato-grossenses” e “Mato Grosso em linhas curtas”, são compostas por seis obras cada.

Para além da experiência estética de se trabalhar simultaneamente com duas formas de expressão (fotografia e ilustração), as artistas também levantam questões contemporâneas no conteúdo das obras, com imagens que levam o público a refletir acerca da pandemia do novo coronavírus e das queimadas do pantanal e do cerrado.

“A realidade pandêmica reorganizou o contexto sócio-histórico do mundo, atravessando, também, o desenvolvimento deste projeto. As fotografias, muitas das quais registradas durante o auge do isolamento social, apresentam espaços vazios, que, posteriormente, foram preenchidos de presença humana por meio das ilustrações”, comenta Sophia.   

Espaços e personagens familiares

Para compor o material fotográfico do projeto, Emanoele, além de revisitar seu acervo pessoal, foi pessoalmente até locais historicamente relevantes ou que ressaltam belezas naturais do estado. Esses registros foram feitos em Cuiabá, Cáceres e Chapada dos Guimarães. A fotógrafa revela que buscou “registrar caminhos mato-grossenses, como ruas, rodovias e rios”.

Em seguida, com o material fotográfico em mãos, Sophia povoou estes caminhos com ilustrações de figuras anônimas. Ela procurou retratar o cotidiano de pessoas que costumavam ocupar estas paisagens, portanto, as personagens trazem consigo símbolos culturais e históricos do estado, como  vestimentas tradicionais de danças regionais, instrumentos musicais e comidas típicas.

As três séries

Em “Retratos de um Mato Grosso ilustrado”, Sophia buscou ampliar as possibilidades de leitura, com ilustrações de pessoas em situações do dia a dia: trabalhando, a passeio ou posando para um possível ensaio fotográfico. A sequência dos títulos destas obras compõem um poema, cujas letras iniciais dos versos formam o seguinte acróstico: “A revolução popular pela arte”.

Dentre as fotos disponibilizadas por Emanoele, algumas induziram Sophia à criação de outros desenhos, que resultaram na série de seis obras intitulada “Desenhos sobre paisagens mato-grossenses”. O contexto criativo envolveu a onda de acontecimentos que movimentaram o período de desenvolvimento do projeto, como as queimadas criminosas no pantanal.

A ilustradora percebeu um padrão nas fotografias, tanto nas formações naturais quanto nas formas antrópicas. Esse padrão inspirou a criação de outras seis obras com formas orgânicas minimalistas. “A presença do Sol e das cores alaranjadas remetem às altas temperaturas, tão comuns em Mato Grosso”, pontua Sophia.

As artistas

Fotógrafa desde 2015, Emanoele Daiane foi premiada no concurso de Fotos Amadoras de Museus e Paisagens Culturais, promovido pelo Museu Histórico de Mato Grosso. Graduada em Tecnologia em Fotografia pela Universidade de Cuiabá, produz conteúdos de foto-documentários e atua como fotojornalista Freelancer, tendo publicações em sites nacionais e regionais.

Sophia Paiva começou a trabalhar com desenho digital durante a pandemia, produzindo ilustrações e divulgando nas redes sociais. Desde então, iniciou projetos de ilustração de livros, como “Aprendendo sobre mim comigo”, dela e de Anne Mathilde Jorge, além de outros ainda não publicados. Também ilustrou uma cartilha do coletivo Mulheres Resistem – MT, do qual faz parte, bem como materiais de divulgação científica.