Cuiabá trocou o ritmo de um sábado comum pelo som das baterias, do axé e do samba. O Laje Folia em Cuiabá, realizado no sábado, 29 de agosto, no Allure Music Hall, reuniu foliões dispostos a provar que Carnaval não precisa, necessariamente, esperar fevereiro chegar.
Com Cheiro de Amor e Monobloco entre as atrações da programação, a festa levou para o palco duas referências diretamente ligadas ao espírito carnavalesco brasileiro. De um lado, o axé que marcou gerações de micaretas e carnavais baianos. Do outro, a mistura contagiante do Monobloco, capaz de passear pelo samba, funk, pop e outros ritmos sem perder a força da bateria.
Mas o Laje Folia não surgiu apenas como mais uma festa temática no calendário da capital. O evento representa um novo capítulo de uma história que a Turma da Laje começou a escrever anos atrás, quando um encontro entre amigos ganhou abadás, bateria, trio elétrico e, pouco a pouco, passou a reunir milhares de pessoas.
Laje Folia em Cuiabá leva espírito do bloco para uma grande estrutura
Logo nas primeiras horas da festa, o clima já remetia às tradicionais micaretas. Abadás coloridos, grupos de amigos, encontros e reencontros ajudaram a construir a atmosfera carnavalesca dentro do Allure Music Hall.
A proposta ganhou ainda mais força com a escolha das atrações. O Cheiro de Amor trouxe a energia do Carnaval baiano e sucessos conhecidos pelo público, enquanto o Monobloco reforçou o clima de bloco ao colocar a força da percussão no centro da apresentação.
Assim, mais do que simplesmente antecipar o Carnaval, o Laje Folia em Cuiabá apostou na memória afetiva de quem cresceu acompanhando blocos, micaretas e festas de salão.
A identidade do evento está diretamente relacionada à própria trajetória de seus organizadores.
Turma da Laje nasceu entre amigos e conquistou o Carnaval cuiabano
A Turma da Laje começou como aquilo que muitos dos grandes blocos brasileiros foram um dia: uma reunião de amigos.
A amizade entre integrantes do grupo atravessa décadas, mas foi em 2017 que a brincadeira ganhou oficialmente as ruas. Naquela primeira edição, cerca de 300 pessoas participaram da festa. O que parecia apenas uma confraternização carnavalesca cresceu rapidamente.
Nos anos seguintes, o bloco passou a reunir um público cada vez maior e incorporou elementos que se tornaram parte de sua identidade: abadá, bateria, música, encontro entre famílias e a sensação de que todo mundo conhece alguém no meio da folia.
O período da pandemia interrompeu temporariamente o Carnaval, mas não encerrou a história da Turma da Laje.
Quando o bloco voltou às ruas, encontrou um público ainda disposto a celebrar. Em 2023, mais de mil foliões acompanharam a festa. Já nas edições seguintes, a Turma da Laje passou a buscar estruturas maiores e novos formatos.
O crescimento também mudou a dimensão do evento.
O que começou entre conhecidos passou a integrar de maneira mais evidente o calendário de entretenimento de Cuiabá, movimentando fornecedores, músicos, bares, equipes de produção, segurança e profissionais que trabalham diretamente com a realização de grandes festas.
Do Carnaval de rua ao salão
Em 2026, a Turma da Laje decidiu experimentar uma nova fase.
Durante o Carnaval de fevereiro, o grupo levou a festa para o Allure Music Hall e apostou em uma releitura dos antigos carnavais de salão, mantendo elementos fundamentais dos blocos de rua.
A mudança não significou abandonar as origens. Pelo contrário.
A bateria continuou presente, o abadá manteve seu espaço e o espírito de encontro permaneceu como uma das principais características da festa. O que mudou foi a estrutura disponível para receber um público maior e oferecer uma experiência diferente.
Meses depois, veio o Laje Folia.
Dessa vez, a ideia avançou além do Carnaval oficial e ocupou o mês de agosto com uma proposta assumidamente fora de época.
Uma festa que cresce junto com a Turma da Laje
O Laje Folia também mostra como a Turma da Laje conseguiu transformar uma tradição entre amigos em uma marca reconhecida pelo público carnavalesco de Cuiabá.
Essa transformação aconteceu sem pressa.
Primeiro veio o pequeno grupo. Depois, os foliões aumentaram. O bloco ganhou as ruas, incorporou estruturas maiores e chegou a espaços capazes de receber grandes atrações nacionais.
Agora, ao realizar uma festa fora da temporada oficial, a Turma da Laje começa a ampliar sua atuação para além dos poucos dias de Carnaval.
É justamente essa evolução que ajuda a diferenciar o evento.
Cheiro de Amor e Monobloco poderiam integrar a programação de qualquer grande festa brasileira. No Laje Folia, entretanto, as atrações encontram um público que já mantém uma relação com o universo carnavalesco construído pelos próprios organizadores.
Por isso, o evento funciona ao mesmo tempo como festa e como continuação de uma tradição.
Laje Folia pode abrir uma nova tradição em Cuiabá
Para a Turma da Laje, o sábado significou mais do que concluir mais uma produção.
O evento também mostrou que a identidade construída pelo grupo consegue sobreviver fora do Carnaval tradicional e dialogar com formatos maiores de entretenimento.
Se antes a pergunta era quando a Turma da Laje voltaria às ruas, agora existe outra possibilidade no calendário: quando será o próximo Laje Folia?
Depois de transformar uma reunião de amigos em bloco, levar o bloco para grandes estruturas e criar uma edição fora de época, a Turma da Laje começa a mostrar que o Carnaval pode ser menos uma data e mais um estado de espírito.
E, pelo menos no último sábado, agosto teve gosto, som e cor de fevereiro em Cuiabá./
Confira as fotos do Laje folia 2026.